DISCIPULADO

A obra da evangelização da igreja engloba duas ações indivisíveis, a saber:

  1. A proclamação/Pregação – A igreja deve anunciar, aclamar e pregar com o poder enfatizada por Cristo nos evangelhos de Marcos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15) e de Lucas: “[…], e, em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lucas 24.47 – ARC).
  2. O Discipulado – A igreja deve receber e acolher aqueles que foram tocados pela palavra e ensinar e discipular como registrado no texto áureo do evangelho de Mateus da “Grande Comissão” da igreja para evangelizar o mundo: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”(Mateus 28.19).

Por isso, se a igreja realizar apenas a proclamação e pregação do evangelho e não realizar o discipulado, ainda que esteja envolvida com a evangelização, não será uma igreja missional. Isso significa que muitos daqueles que serão ganhos na pregação, também serão perdidos, assim como um pescador cujas redes estão rasgadas, mesmo que pesque muitos peixes, perde a maioria do fruto do seu trabalho.

Logo, o discipulado é a ação da igreja para acolher, consolidar e integrar na igreja o novo convertido oriundo da conversão pelo poder da pregação do evangelho.

Todavia é importante lembrar o que não é discipulado:

  1. Discipulado bíblico não é um Departamento – Embora a igreja seja tanto um organismo quanto uma organização, o Senhor Jesus, ao ordenar que o mundo fosse discipulado, não estava propondo a criação de um departamento institucional, mas sim promovendo a transformação dos perdidos por meio da pregação, do ensino e do exemplo. Portanto, ainda que a igreja, enquanto organização, possua departamentos, diretorias e secretarias, o discipulado bíblico vai muito além dessas estruturas.
  2. Discipulado bíblico não é uma revista – Uma revista de integração de novos membros pode ser uma ferramenta útil no acompanhamento de novos convertidos, mas representa apenas uma fração do processo. O discipulado bíblico não se limita ao conteúdo de uma apostila, pois se trata de um relacionamento contínuo e transformador;
  3. Discipulado bíblico não é um projeto –  Projetos são planejamentos temporários com início, meio e fim, cujo objetivo é entregar um produto ou resultado específico. O discipulado bíblico, por outro lado, é atemporal. Trata-se de uma jornada que vai durar a vida inteira, além de ser uma ordenança permanente de Jesus à sua Igreja: fazer discípulos de todas as nações até a consumação dos séculos.
  4. Discipulado bíblico não é um programa – O discipulado não deve ser visto como uma campanha pontual ou um evento no calendário da igreja. O discipulado deve ser compreendido como uma doutrina bíblica expressa em forma de ordenança, e não como uma ação programática eventual.
  5. O Discipulado bíblico não é um curso pré-batismo – Embora o curso para candidatos ao batismo seja uma etapa importante no processo de discipulado, ele não representa a totalidade dessa jornada. Muitas igrejas adotam esse curso para esclarecer as bases da fé cristã e preparar o novo convertido para o batismo. No entanto, o discipulado não termina nas águas batismais, mas ele continua.

 

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Ronaldo Santos